Procedimento operacional · etapa 1 do ciclo de receita

Recepção e verificação de elegibilidade: procedimento passo a passo

Quase metade das glosas nasce na recepção: carteira errada, plano sem cobertura, carência não cumprida, autorização não conferida. Este procedimento mostra, etapa por etapa, o que conferir antes do atendimento começar e por quê. Feito para treinar quem está chegando na área.

Por Francisco Paniquar Gatto · Atualizado em 14/10/2026

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Objetivo

Garantir que cada atendimento comece com o beneficiário identificado, o plano ativo e com cobertura, a autorização conferida e os dados corretos para o faturamento.

Quem executa

Recepcionista ou atendente. Apoio: autorização (procedimentos que exigem senha) e faturamento (dúvidas de regra da operadora).

Quando

Em todo atendimento por convênio: no agendamento (pré-checagem) e na chegada do paciente (checagem final).

Entradas

Documento com foto, carteira do plano, pedido médico (quando houver), agenda, regras de cada operadora.

Saídas

Cadastro correto, elegibilidade confirmada e registrada, autorização conferida, atendimento aberto no sistema com os dados da guia.

Visão geral do processo

  1. Pré-checar no agendamento
  2. Identificar o paciente
  3. Conferir a carteira
  4. Verificar a elegibilidade
  5. Conferir cobertura e carência
  6. Conferir a autorização
  7. Abrir o atendimento
  8. Coletar assinatura e documentos
  9. Tratar as pendências
  10. Fechar o dia

1Pré-checar no agendamento

Para que serve: descobrir antes do dia do atendimento o que pode impedir a cobrança: plano inativo, carência, procedimento que exige autorização prévia. Resolver na véspera é muito mais fácil do que com o paciente no balcão.
Como fazer:
  1. No agendamento, registre operadora, plano, número da carteira e o procedimento previsto.
  2. Verifique se o procedimento exige autorização prévia nessa operadora. Se exigir, encaminhe o pedido para a equipe de autorização com antecedência.
  3. Oriente o paciente sobre o que trazer: documento com foto, carteira do plano e pedido médico.
Atenção: mantenha à vista da recepção uma lista atualizada, por operadora, dos procedimentos que exigem autorização. Ela muda com frequência.
Resultado: agendamento com dados do plano e pendências identificadas antes do dia.

2Identificar o paciente

Para que serve: garantir que quem está sendo atendido é o titular da carteira. Atendimento a pessoa diferente do beneficiário é fraude e gera glosa total, além de risco assistencial.
Como fazer:
  1. Peça documento oficial com foto e confira com a pessoa presente.
  2. Confira nome completo e data de nascimento. Se o paciente usa nome social, registre no campo próprio, sem substituir o nome civil do cadastro do plano.
  3. Busque o cadastro existente antes de criar um novo, para não duplicar o paciente.
  4. Se a operadora usar biometria, token ou outro meio de confirmação presencial, faça a confirmação nesse momento.
Atenção: nunca use a carteira de um familiar "porque o plano é o mesmo". Cada beneficiário tem o seu número.
Resultado: paciente identificado e cadastro único, sem duplicidade.

3Conferir a carteira do plano

Para que serve: o número da carteira é a chave que liga o atendimento ao contrato do beneficiário. Um dígito errado gera glosa do grupo beneficiário (10xx), a mais comum na recepção.
Como fazer:
  1. Digite o número da carteira conferindo dígito por dígito, ou use a leitura do cartão quando o sistema permitir.
  2. Confira a validade da carteira e o nome do plano.
  3. Se o paciente apresentar carteira digital, confira se é do plano atual: troca de plano muda o número em muitas operadoras.
Atenção: carteira vencida não significa plano cancelado, mas exige a verificação de elegibilidade da etapa seguinte.
Resultado: número da carteira, plano e validade registrados corretamente.

4Verificar a elegibilidade na operadora

Para que serve: a elegibilidade confirma, na data do atendimento, que o beneficiário está ativo e pode ser atendido. É a única prova de que o plano estava válido naquele dia.
Como fazer:
  1. Consulte a elegibilidade no portal da operadora ou pela transação de verificação de elegibilidade do padrão TISS, quando o sistema estiver integrado.
  2. Faça a consulta no dia do atendimento, não só no agendamento: o plano pode ser suspenso entre uma data e outra.
  3. Guarde o comprovante (tela, número de protocolo ou resposta da transação) junto ao atendimento.
  4. Se a resposta for "inelegível", não inicie o atendimento por convênio: siga a etapa 9.
Atenção: o comprovante de elegibilidade é a evidência do recurso quando vier uma glosa de "beneficiário inativo". Sem ele, a glosa não se reverte.
Resultado: elegibilidade confirmada na data, com comprovante guardado.

5Conferir cobertura e carência

Para que serve: beneficiário ativo não significa procedimento coberto. Segmentação do plano (ambulatorial, hospitalar, obstetrícia, odontológico), área de abrangência, rede credenciada e carência definem se aquele atendimento pode ser cobrado.
Como fazer:
  1. Confira se a segmentação do plano cobre o tipo de atendimento (por exemplo, internação não é coberta em plano só ambulatorial).
  2. Confira se o seu serviço faz parte da rede do plano e se está na área de abrangência do contrato.
  3. Verifique a carência: a Lei 9.656/1998 fixa limites máximos (24 horas para urgência e emergência, 300 dias para parto a termo e 180 dias para os demais casos), mas cada contrato pode prever prazos menores. A resposta de elegibilidade ou o portal costuma informar.
  4. Para procedimentos com regras do Rol da ANS, confira se há diretriz de utilização (DUT) e se o pedido médico atende a ela.
Atenção: se o procedimento não tiver cobertura, informe o paciente antes do atendimento e registre a orientação. Atender e descobrir depois gera conta sem pagador.
Resultado: cobertura e carência conferidas para o procedimento do dia.

6Conferir a autorização

Para que serve: procedimento que exige autorização e é feito sem ela gera glosa do grupo autorização (14xx), quase sempre não recuperável.
Como fazer:
  1. Se o procedimento exige autorização, confira se a senha existe, se está dentro da validade e se cobre exatamente o procedimento e a quantidade que serão feitos.
  2. Confira se o nome do beneficiário e o número da carteira na autorização são os mesmos do cadastro.
  3. Se a autorização estiver pendente, vencida ou divergente, acione a equipe de autorização antes de iniciar (veja o procedimento de autorizações).
Atenção: urgência e emergência não esperam autorização. Atenda, registre o caráter de urgência no atendimento e comunique a operadora pelo canal previsto no contrato.
Resultado: senha conferida e registrada no atendimento, ou pendência encaminhada.

7Abrir o atendimento com os dados da guia

Para que serve: os dados digitados na abertura vão direto para a guia TISS. Erro aqui vira erro de faturamento lá na frente.
Como fazer:
  1. Escolha o tipo de guia certo: guia de consulta para consulta eletiva, guia SP/SADT para exames, terapias e consultas com procedimento, solicitação de internação para internações.
  2. Preencha caráter do atendimento (eletivo ou urgência), tipo de consulta quando aplicável e o profissional executante com conselho e CBO.
  3. Informe a senha no campo próprio, quando houver.
  4. Confira o código do procedimento na TUSS com o pedido médico.
Atenção: duas consultas para o mesmo paciente e o mesmo profissional em pouco tempo podem ser glosadas como retorno. Confira a regra de retorno de cada operadora.
Resultado: atendimento aberto com tipo de guia, profissional, procedimento e senha corretos.

8Coletar assinatura e documentos

Para que serve: a assinatura do beneficiário e os documentos anexos comprovam que o atendimento aconteceu. Muitas operadoras glosam guia sem comprovação de presença.
Como fazer:
  1. Colete a assinatura do beneficiário (ou do responsável) na guia ou no meio eletrônico aceito pela operadora.
  2. Digitalize o pedido médico e anexe ao atendimento. Confira se tem data, carimbo, assinatura e CRM.
  3. Em atendimentos seriados (fisioterapia, terapias), use o controle de sessões e colete a assinatura a cada sessão.
Atenção: pedido médico vencido é motivo frequente de glosa. Confira a validade aceita pela operadora.
Resultado: guia assinada e documentos anexados ao atendimento.

9Tratar as pendências

Para que serve: nem todo atendimento fica redondo na recepção. O importante é a pendência ter dono e prazo, e não seguir escondida até o faturamento.
Como fazer:
  1. Inelegível ou sem cobertura: oriente o paciente sobre as alternativas (atendimento particular, contato com a operadora) e registre a orientação.
  2. Autorização pendente: siga a regra do serviço (reagendar, aguardar ou atender como urgência quando for o caso) e registre.
  3. Documento faltando: registre o que falta e combine a entrega com o paciente, com data.
  4. Registre cada pendência em uma lista com responsável e prazo.
Atenção: nunca abra o atendimento como "convênio" esperando resolver depois sem registrar a pendência. É assim que nascem as glosas que ninguém sabe explicar.
Resultado: pendências registradas, com responsável e prazo.

10Fechar o dia da recepção

Para que serve: o fechamento diário garante que tudo o que foi atendido chegue ao faturamento completo, sem guias perdidas.
Como fazer:
  1. Confira se todo atendimento do dia tem guia, assinatura, elegibilidade e senha (quando exigida).
  2. Compare a agenda com os atendimentos abertos: paciente que veio e não tem atendimento aberto é receita perdida.
  3. Entregue ao faturamento as guias e documentos do dia, na forma combinada (física ou digital).
  4. Revise a lista de pendências e cobre o que venceu.
Resultado: atendimentos do dia completos e entregues ao faturamento.

Rotina da recepção

FrequênciaO que fazer
VésperaPré-checar os agendamentos do dia seguinte: plano, carência e autorizações.
Cada atendimentoIdentificação, carteira, elegibilidade, cobertura, autorização, abertura e assinatura.
Fim do diaConferir guias, comparar agenda e atendimentos, entregar ao faturamento, revisar pendências.
MensalRevisar com o faturamento as glosas de recepção do mês (grupos 10xx e 14xx) e combinar correções.

Erros mais comuns de quem está começando

  • Digitar a carteira sem conferir e criar um cadastro duplicado.
  • Consultar a elegibilidade só no agendamento e não no dia.
  • Não guardar o comprovante de elegibilidade.
  • Abrir o atendimento sem conferir se a senha cobre o procedimento e a quantidade.
  • Escolher o tipo de guia errado.
  • Aceitar pedido médico sem data, assinatura ou vencido.
  • Deixar pendências sem registro "para resolver depois".

Checklist de conclusão do treinamento

Para aprofundar

Referências: Lei nº 9.656/1998 (carências); ANS, Padrão TISS 4.03.00 (verificação de elegibilidade, guias de consulta e SP/SADT); ANS, Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde e suas diretrizes de utilização. As regras de cada contrato e de cada operadora prevalecem sobre as orientações gerais deste procedimento.

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